quinta-feira, 19 de julho de 2007

Morte, tão comum como a vida

Olá de novo...

Meu Deus, são 2:30 da manhã.
(Isso mesmo, eu liguei o computador com o único intuito de escrever esse texto)

Com certeza você já soube do grande acidente que ocorreu na última terça-feira com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Eu assisti a quatro jornais essa noite. Todos de emissoras de TV diferentes. Os quatro noticiaram, como principal matéria, o acidente fatal que pode ter matado mais de 200 pessoas.
Centenas de blogs, com certeza, estarão sendo publicados até o fim dessa semana com essa triste abordagem.

Hoje, eu não vou ficar falando sobre o acidente, ou sobre a minha opinião a respeito das condições da pista do aeroporto de Congonhas. Hoje eu vou expressar os meus mais profundos pensamentos a respeito da morte.

Você, caro leitor, tem medo da morte?

Seja sincero, ao responder tal pergunta.
A morte era pra ser um fato tão comum quanto o nascimento, não é?

Pois sinto em dizer que nunca o será. Isso nos diferencia dos animais irracionais: o amor, e o apego por outras pessoas, mesmo que desconhecidas.
Porque, veja bem; eu não tinha nenhum parente no vôo acidentado. Mas, mesmo assim, não deixo de me sentir péssima em saber que morreram tantas pessoas boas e inocentes. Pessoas que não fizeram nada de errado. E, principalmente, não mereciam uma morte tão trágica.

De uma forma bem sincera, eu tenho medo da morte, sim (hipocresia não tem lugar em uma situação dessas). Todos têm medo, mesmo que mais discretamente. Senão, ninguém olharia para os dois lados ao atravessar a rua, ninguém tomaria um remédio ao ficar doente, ninguém iria desligar o forno após fazer um arroz e ninguém iria tomar os devidos cuidados no trânsito.
Eu tenho medo, sim. Até porque tudo o que me é desconhecido, em questão de existencialismo, tem algo de sombrio.
Tenho medo de não existir céu, nem inferno, só o fim.
Tenho um profundo receio de que toda a minha vida, as pessoas que eu conheci, amei, as experiências na qual eu passei, tudo mesmo, tenha acabado. Toda a minha filosofia de vida, os meus princípios, meus gostos e minhas preferências tenham sumido como um espelho que se quebra e, logo alguém recolhe os cacos. Tenho medo de que tudo isso tenha um fim. E que nunca seja possível saborear de novo o prazer da vida.
De 7 bilhões de habitantes desse planeta, cada um é totalmente único.
Sabe, como a maioria das pessoas, eu tenho muito medo de sofrer nos meus últimos minutos de vida. E, aqui com os meus botões, fico imaginando o sofrimento daquelas pessoas no avião, ou em qualquer acidente. Pessoas tentando se salvar. Não me sai da cabeça, até hoje, aquelas pessoas se jogando das janelas do World Trade Center, em Nova York, no ano de 2001, logo após o atentado terrorista contra as torres. O que certas pessoas não fazem pra viver?
Isso nos faz refletir o quanto vale a vida. O quanto nós devemos agradecer por termos vida, água, ou o simples ar pra respirar. Isso nos faz pensar o quanto somos injustos com pessoas, que no outro dia, podem não estar lá.

Eu perdi o meu tio, a um mês, mais ou menos. Foi a minha primeira situação de morte na família, pois minha avó também faleceu, mas eu não cheguei a conhecê-la.
No dia do velório, fiquei frente a frente com ele, e pensei: "Meu tio, eu cresci ao seu lado. E agora o vejo assim, sem ter ar, sem ter pensamentos e sem ter ao menos noção de que não está mais conosco."
Eu senti uma inexplicável melancolia quando fecharam o caixão. Lágrimas escorreram nos meus olhos. Eu senti que nunca mais ía ver aquele sorriso, nunca mais ía ouvir aquela voz rouca e calma.
Sabe qual é o peso da palavra "nunca"?
É o maior peso do mundo. Quando dizemos "nunca" com absoluta certeza nós ficamos perplexos. É como se em uma bela noite, as estrelas simplesmente parassem de brilhar. A noite nunca mais terá a mesma luz de antes.

Se você já passou por isso, sabe que a sensação é exatamente igual. Se você nunca perdeu um ente querido, não imagina a tristeza que é, um dia você descobrir que aquela pessoa presente na sua vida, nunca mais estará lá.
Nunca mais. Não até um possível encontro... em algum lugar bem distante, talvez.

Iza

3 comentários:

Patrick Leão disse...

Essa com certeza é uma postagem que faz a gente pensar. Não diria eu, porém, que tenho medo da morte, mas que apenas tenho certo receio que ela chegue cedo ^^

Continue escrevendo sempre!

César Schuler disse...

É bem difícil, para mim, fazer um comentário nesse texto...

Eu simplesmente não sei o que dizer, o que pensar... Ainda não perdi nenhum ente querido, apenas alguns animais de estimação [rsrs]...

E quanto a ter medo da morte, bem...
Eu tenho muito medo sim, já escapei dela por um triz e agora tento aproveitar a vida ao máximo.

Como disse o cara aí de cima, é uma postagem que faz a gente pensar...

Parabéns!
bjos^^


http://poesiaeculinaria.blogspot.com/

Paulo R disse...

Otimo Texto Izabelly!
Como sempre você fazendo textos superando a espectativa
( :


Continue assim