sexta-feira, 31 de agosto de 2007

"Gostaria de me dar o prazer dessa dança?"


Ai... como me deu uma vontade louca de narrar alguém a se levantar, andar na sua direção (isso, na sua mesma) e chegar perto, com o coração batendo rápido e dizer, oferecendo a mão:

"Gostaria de me dar o prazer dessa dança?"

Aí os dois se levantam, vermelhos e tímidos com suas próprias mãos. Ele, abrindo o último botão do paletó escuro, ela apertando a fita lilás com o laço nos cabelos lisos, caindo nas costas...

Eles se olham, tremendo, e começam a dançar... só um pequeno e ritmado blues anos 60... eles fazem os corações se confundirem!
Ela nunca dançou bem... sempre aquela coisa comum e desinteressante. Mas ali, frente a frente com o garoto mais impressionante e incrível da sua vida, a dança soava limpa e leve como se eles dançassem ao vento... forjando estrelas e nuvens com seus passos no piso de madeira naquele bailinho de inverno.

Os olhares mais uma vez se cruzam, agora envolvidos com um sincero e singelo sorriso.
Então, de uma hora pra outra a melhor e mais bonita música começa a ecoar nas paredes do salão. Os sorrisos na pista são inevitáveis.
A dança fica bem mais envolvente... e mais lenta. Os rostos se tocam lentamente! bem devagar mesmo, os dois ficam um tempo apreciando o aroma de flores do salão e sentindo o dos rostos ali tocados. O casal jovem se olha no fundo dos olhos nervosos com esse especial momento.
Chegam perto, e mais perto, e mais perto... até um doce beijo nos lábios estarrecidos de amor. A turma de amigos olha, encantada com tamanho romantismo. Eles se tocam profundamente. Não apenas fisicamente. É como se suas almas virassem uma só por 3 curtos, mas infinitos minutos. Os olhos não deixam de se entrelaçar de felicidade.
Ela, vira o rosto pra pensar no feito. Ele só sorri e encosta o rosto no seu ombro, enquanto se inicia um novo e animado Rock'N'Roll...




quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sala de aula

Sabe quando você vê o professor lá na frente, ele fala, fala e fala... você ouve, ouve, ouve e ouve, mas não está ali realmente?

Eu não estou aqui na sala de aula. Meus pensamentos estão longe. Minhas mãos se entrelaçam timidamente, meus olhos caem tristes e isolados ao vento, meu corpo flutua acima dessa escola...

Enquanto ela me "dita" sobre o Czarismo, eu não saio de minha utópica imaginação... Você percorre a minha sala de aula e os olhos são sonolentos, desinteressados e apagados na vivacidade explicativa da professora. Ouço gente cochichando, rindo, sussurros baixinhos, ouço tudo, menos interesse pela vida de Lênin e Marx. São 7 da manhã e estou aprendendo a respeito da filosofia comunista... Posso até ouvir tudo isso, mas não me envolvo no entusiasmo dela. Ninguém o faz.

Pra falar a verdade, alunos como eu, mortos de sono e tensão matinal fazem rabisquinhos de corações e seus nomes no canto do livro de geografia, quase que
maquinalmente. Não quer dizer que a professora não explique bem... Só quer dizer que a disposição para estudar as 7 da manhã não é um dom concebido a qualquer um. Quer dizer, talvez, que existem questões mais interessantes como: "Por que as escolas têm cinco horas e meia de aula?" ou "Por que Lênin e Stalin não precisavam ouvir sobre as suas próprias histórias?"...

Bom, é bem óbvio; Porque eles a fizeram!

Eu levanto a mão esquerda (como toda boa canhota), todos os alunos despertam com a esperança de uma aluna interessada e atenciosa nessa aula exaustiva, a professora se volta pro meu lado e diz: "Sim?"

Iza


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

"Por que apesar de ter tudo, ainda assim o mundo não me satisfaz?"



Sabe quando você assiste uma cena, ou passa por uma situação em que você realmente não acredita? aí fecha os seus olhos e abre, lentamente, pra ver se está sonhando?
Eu vi isso... eu não consigo acreditar em certas coisas que me acontecem. Contudo, eu não posso me arrepender ou me amargurar delas... porque se eu tentar desfazer os meus atos, eu não serei totalmente "Eu"... serei alguém que não acerta, que não sonha, que não erra, que não ama...

É mais ou menos isso o que nos torna "reais", em si! As vezes eu fico sentada, no telhado da minha casa, simplesmente vendo o luar e aperfeiçoando a imagem que "forjo" das nuvens de verão... e aí, me vem certas coisas na cabeça... Nem consigo explicar!

Quando estou isolada do mundo, triste, solitária e "amarga com o doce de viver" eu penso: "Por que apesar de ter tudo, ainda assim o mundo não me satisfaz?"

E então, começa o meu dilema: Não sei se você, que está lendo isso, já refletiu sobre isso, mas as vezes nós temos comida, bebida, uma casa, uma cama, amigos perfeitos, pais que nos amam... mas ainda assim, aquilo é irrelevante pra o nosso declínio existencial...
Eu absolutamente nunca fui completamente feliz... E então, o que é ser feliz?

É ter um namorado? é ter amigos? é ter dinheiro? é ter família? um bom emprego? linda casa?

Não... não, pra mim, ser feliz é tão desconhecido... Não que eu seja a pobre coitada infeliz, mas realmente, aquela felicidade que nos preceita fazer "Malabarismos de sentimentos"... essa aí, eu afirmo que nunca tive...

Sabe aquela sensação momentânea do primeiro dia de aula?
Aquela necessidade de ouvir aqueeeeeeela música?
De dizer um simples "oi" para aqueeeeeeela pessoa?
De andar na maior montanha russa do parque inteiro?
aquele frio na barriga...

Aquela sensação de coragem, autonomia e autenticidade ao mesmo tempo?

Pois é... ela deve ser a felicidade...
E ainda assim, o mundo não me satisfaz porque sejamos sinceros:

No primeiro dia de aula, todos os alunos lhe encaram com um olhar estrondosamente não-convidativo... bagunçam com o "novato", roubam seu lanche, zombam da sua mochila, riem do seu corpo...
Aqueeeeeeeeeeela pessoa que você observa faz muito tempo, na verdade, dá "oi" pra pessoa que está atras de você...
A montanha Russa está lotada e o controlador, precisa trancar a presilha de segurança na sua vez da fila... mais trinta minutos esperando...

É, meu amigo leitor, infelizmente, eu espero o dia que eu acharei a melhor sala de aula de todos os tempos, a maior (e de preferência, mais espaçosa) montanha Russa... e, finalmente, para o mundo me satisfazer, aqueeeeeeeeeela pessoa impressionante me notar... e finalmente o serei.

Iza

domingo, 5 de agosto de 2007

O que é ser um amigo verdadeiro, afinal?



Ultimamente tenho pensado bastante nas minhas amizades...

As vezes uma amizade verdadeira não é resumida pelo tempo que você conhece certa pessoa!
Conheço uma porção de pessoas a uns 10, 12, 2, 4 anos... ou só uma semana... ou um mês... e já as considero amigos verdadeiros...

O que é ser um amigo verdadeiro, afinal?

ser amigo é preencher um pedaço dos pensamentos de alguém nem que seja só por uma parcela do dia! Os meus amigos não saem da minha cabeça... os meus amigos me fazem sair as duas da manhã para dar apoio por um amor perdido... os meus amigos me fazem "ser eu"...

eles me moldam como ser humano!
os meus amigos me fazem cair da cadeira (com uma piada) e fazer minha irmã me "estranhar"!
os meus amigos me fazem sair num domingo, meio dia, pro cinema!
os meus amigos não precisam me abraçar, nem beijar, e sim, me fazer sorrir!
Amigos quebram um copo e me cortam com os cacos!
Amigos cantam Floribella comigo num dia chuvoso... (nossa!)

Acho que é por isso que eu os amo tanto... eles me seguram quando eu caio...
eles ficam de madrugada no msn conversando e debatendo sobre White Stripes!
eles me fazem ficar abismada com os loucos namorados e namoradas escolhidos...
eles fazem a minha vida girar em torno da música...

São meus tesouros!
talvez, os únicos...

Pra quê tudo isso?





As vezes eu tenho uma vontade enorme de jogar o simples fato do mundo existir em si, pro alto!

Eu odeio andar nas ruas e ver sempre a mesma coisa... olhar os meus amigos e não conseguir conversar, de verdade! Ver sempre eles entretidos com coisas pouco importantes, e só por assuntos tediosos como:
"Ai, com quem tu ficaste na festa de sábado?"
"Me passa cola na prova?"
"Compra um presente pra mim?"
"Tem um novo celular lindérrimo nas lojas, vou comprar!"

Ai meu deus! Tanta rotina, tanta hipocresia...
Pra quê ficar com 5 numa noite? no máximo para se expor como "a garota fácil" e o "garoto galinha"...
Tenho uns amigos que amam ver o mundo coberto de dinheiro, cds, roupas, celulares, coisas da última geração....

Isso por acaso vai contar quando você estiver procurando um verdadeiro amor?
ou apenas uma verdadeira amizade?
Pra quê toda essa vontade de ser o melhor em tudo? por que tanta maquiagem, tanto salto alto, tanta futilidade?
Por que tanto interesse?

Pra quê comprar um celular da última geração se qualquer dia desses chega um mais novo nas lojas???
será que ninguém nesse mundo tem raciocínio lógico?
Será que pouquíssimas pessoas nesse círculo finito e maravilhoso chamado Terra realmente pensam em algo a mais que o capitalismo?
Eu acho muito exagerado essa pirotecnia de consumo na classe média alta!

Pra quê tudo isso?

Vamos nos desprender totalmente dessa vida opressiva! Vamos abrir o coração! vamos ouvir música, dançar feito loucos em frente ao espelho sem se importar com o vizinho olhando e rindo! Vamos comer chocolate sem medo de engordar (afinal, o que é ser gordo senão ter aproveitado o prazer eterno de um chocolate meio-amargo?)... ou sem medo de espinhas!
Vamos brincar de roda na praça em frente a igreja... vamos entrelaçar as nossas mãos e vidas de felicidade, e não de futilidade...

Eis a vida, corramos de encontro a ela!